Dos primeiros galpões ao polo industrial: Feira de Santana chega aos 193 anos movida também pelas mãos de quem produz

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Feira de Santana completa 193 anos nesta sexta-feira, 18 de setembro, consolidada não apenas como uma das principais cidades comerciais da Bahia, mas também como um importante polo industrial. Por trás das fábricas, máquinas, linhas de produção e investimentos que ajudaram a transformar a economia feirense estão milhares de trabalhadores que, ao longo de décadas, fizeram da indústria uma parte fundamental da história da cidade.

Os primeiros passos desse processo são anteriores ao grande ciclo de industrialização iniciado na década de 1970. Ainda no século XIX, predominavam atividades de transformação ligadas à economia agropecuária, como beneficiamento de fumo, couro, peles, fibras e madeira, além da fabricação de farinha e sabão. 

Um dos primeiros grandes marcos viria em 1924, quando o químico Paulo da Costa Lima criou vinhos produzidos a partir de frutas e implantou a Fábrica Leão do Norte, apontada pelo historiador Antônio do Lajedinho como a primeira fábrica de grande porte de Feira de Santana. A empresa produzia, entre outros produtos, a famosa Jurubeba Leão do Norte e cresceu até transferir suas operações para Salvador.

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Nas décadas seguintes, a atividade fabril ganhou força. Em janeiro de 1941 foi inaugurada a Usina de Beneficiamento de Algodão, construída em uma área de 10 mil metros quadrados na Rua Senador Quintino e equipada com maquinário considerado moderno para a época. Em 1950 surgiu a Fábrica Guanabara, primeira fábrica de balas da cidade em moldes industriais. Entre as décadas de 1950 e 1960 também entrou em operação a Cal Sublime, na Queimadinha, importante para a construção civil e para a geração de empregos.

Prédio da Usina de Algodão 

A cidade também abrigaria empreendimentos como a Fábrica de Macarrão e Biscoitos Riviera, implantada por Manoel da Costa Falcão, um dos personagens ligados à organização do empresariado industrial e à implantação do futuro Centro Industrial do Subaé. 

O CIS muda a escala da indústria feirense

A grande virada ocorreu na passagem dos anos 1960 para os 1970.

Em 1965 foi criado o Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS). Cinco anos depois, em 1970, nasceu o Centro Industrial do Subaé (CIS), dentro de uma política de industrialização planejada que mudou a dimensão do setor produtivo local. O CIS seria posteriormente estadualizado, em 1983. 

A localização de Feira foi decisiva. Situada em um dos mais importantes entroncamentos rodoviários do Nordeste e conectada a grandes eixos de circulação de mercadorias, a cidade passou a reunir condições estratégicas para receber fábricas e centros de distribuição.

A mudança foi profunda. Uma pesquisa acadêmica sobre a trajetória econômica do município registra que Feira possuía 293 estabelecimentos industriais na passagem dos anos 1950 para os 1960, em sua maioria pequenos. A implantação do CIS modificou esse perfil, atraindo também indústrias de bens intermediários e duráveis. 

Em 2012, o Governo da Bahia registrava uma média de 189 indústrias instaladas especificamente no CIS, abrangendo segmentos como metalurgia, material elétrico, transportes, alimentos, bebidas, química, vestuário, papel e embalagens. 

Hoje, a indústria está espalhada muito além dos limites físicos do Centro Industrial.

Dados divulgados pelo CIFS em 2026 apontam mais de 2,3 mil indústrias em Feira de Santana. A diferença entre levantamentos disponíveis exige cautela, porque o número varia conforme o conceito utilizado para definir uma indústria, o CNAE considerado e se são contabilizados estabelecimentos ou empresas. Por isso, não é correto tratar qualquer estimativa isolada como um número absoluto de fábricas em funcionamento. 

35 mil empregos e 27% da economia

A dimensão econômica desse processo aparece com mais clareza nos dados do mercado de trabalho.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico em dezembro de 2025, a indústria representa aproximadamente 27% do PIB de Feira de Santana e emprega formalmente cerca de 35 mil pessoas. 

É um contingente que vai muito além dos trabalhadores dentro das fábricas. A produção industrial movimenta transportadoras, fornecedores, oficinas, comércio, alimentação, serviços técnicos, manutenção, construção, tecnologia e uma extensa cadeia de pequenas empresas.

Os dados recentes mostram que essa engrenagem continua em movimento. Entre janeiro e julho de 2025, foram registradas 10.527 admissões na indústria feirense, segundo informações do Caged divulgadas pelo município. No conjunto de todos os setores econômicos, Feira encerrou 2025 com saldo positivo de 6.208 postos formais de trabalho, um dos maiores resultados municipais da Bahia. 

Novos investimentos também continuam chegando. Em setembro de 2025, por exemplo, a multinacional Soprema inaugurou no CIS sua primeira fábrica do Nordeste, com previsão de alcançar 200 empregos diretos. Em dezembro, uma nova unidade da Xpert Pack foi inaugurada no núcleo do Tomba com anúncio de 1.100 empregos diretos. 

Mudaram as fábricas. A luta por direitos também avançou

Se a indústria de Feira de Santana mudou nesses quase cem anos desde a implantação da Leão do Norte, também mudou a vida de quem trabalha nela.

As pequenas unidades fabris deram lugar a plantas industriais maiores, processos automatizados, novas tecnologias, cadeias produtivas integradas e empresas conectadas aos mercados regional, nacional e internacional. Feira deixou de ser uma economia essencialmente marcada pela agropecuária e pelo comércio para incorporar definitivamente a indústria à sua identidade econômica.

Mas desenvolvimento não se mede apenas pelo número de fábricas instaladas ou pelo volume produzido.

Ao longo dessa trajetória, a organização dos trabalhadores passou a ocupar papel fundamental na construção das relações de trabalho. Salários, reajustes, benefícios, jornada, segurança, saúde do trabalhador e demais garantias previstas em convenções coletivas são resultado de negociações que acompanham o desenvolvimento do parque industrial.

Em 2026, por exemplo, a Convenção Coletiva da categoria metalúrgica tem 69 cláusulas e vigência entre 1º de maio de 2026 e 30 de abril de 2027. 

É nesse ponto da história industrial da cidade que se insere o STIM.

A indústria feirense cresceu, diversificou-se, incorporou tecnologia e continua atraindo investimentos. Para o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Feira de Santana e Região, esse desenvolvimento precisa caminhar lado a lado com a valorização de quem produz.

Aos 193 anos, olhar para a história industrial de Feira de Santana é também reconhecer que cada fábrica é feita de pessoas. São trabalhadores e trabalhadoras que operam máquinas, transformam matéria-prima, fazem manutenção, montam equipamentos e sustentam diariamente uma cadeia econômica que ultrapassa os muros das empresas.

O compromisso do STIM é continuar presente nessa história, defendendo emprego, salário digno, segurança, direitos e melhores condições de trabalho para que o crescimento industrial de Feira de Santana também se traduza em desenvolvimento para quem ajuda a construí-lo todos os dias.

Feira de Santana, 193 anos.

Uma cidade que trabalha, produz e se transforma. E onde houver trabalhador metalúrgico, haverá luta por direitos.

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