O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Feira de Santana (STIM) esteve presente na mobilização realizada por eletricitários, na manhã desta segunda-feira (26), em frente ao prédio da Coelba, em Feira de Santana. O ato protestou contra a proposta apresentada pela empresa nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e alertou para a possibilidade de greve, caso não haja avanço no diálogo.
A mobilização foi organizada pelo Sinergia Bahia e integra um calendário estadual de ações da categoria. O STIM participou do ato em apoio político e sindical, reafirmando seu compromisso histórico com a defesa dos direitos trabalhistas. Como entidade ligada à CUT, o sindicato reforça que onde há trabalhador e luta por direitos, o STIM está junto.
Negociação travada e direitos ameaçados
De acordo com o advogado do sindicato dos eletricitários, Nelson Serqueira, a atividade teve caráter de assembleia informativa e buscou esclarecer os trabalhadores sobre o andamento das negociações, que seguem abertas até o dia 31 de janeiro. A data-base da categoria é 1º de outubro, mas, até o momento, não houve fechamento do acordo.
Entre os principais pontos de impasse estão o reajuste salarial, o aumento do ticket alimentação, a concessão de empréstimos e a manutenção de cláusulas sociais históricas. Um dos temas que mais preocupam a categoria é o plano de saúde, cujo reajuste proposto pela empresa chega a cerca de 40%, percentual considerado inviável pelos trabalhadores, ativos e aposentados.
Também estão em disputa cláusulas que garantem auxílio a dependentes, proteção a aposentados e pré-aposentados e o direito de defesa em processos disciplinares. Segundo o sindicato, a retirada dessas garantias abre margem para punições arbitrárias e fragiliza a relação de trabalho.
Proposta rejeitada e risco de paralisação
O diretor do sindicato em Feira de Santana, Esdras Santos, informou que a proposta apresentada pela empresa foi rejeitada por ampla maioria em assembleia. Segundo ele, a mobilização busca pressionar a empresa a retomar as negociações de forma responsável, considerando o lucro expressivo do grupo empresarial.
Já o presidente do sindicato, Regino Marques, classificou o momento como um dos mais tensos já vividos pela categoria e denunciou práticas antissindicais. Ele alertou ainda para os impactos que uma eventual paralisação pode causar, especialmente com a proximidade do Carnaval, período em que o serviço de energia elétrica é essencial.
Solidariedade de classe
Para o STIM, a mobilização dos eletricitários dialoga diretamente com a realidade de diversas categorias que enfrentam tentativas de retirada de direitos, arrocho salarial e desrespeito à negociação coletiva. O sindicato reafirma sua solidariedade à luta dos eletricitários e defende que direitos não são concessões, são conquistas, fruto de organização e resistência coletiva.
O movimento segue em todo o estado da Bahia. O sindicato dos eletricitários afirma que continua apostando na negociação, mas não descarta a deflagração de greve por tempo determinado caso não haja acordo.